quinta-feira, 17 de novembro de 2011

UNI-DUNI-TÊ...



 Nesse momento, enquanto escrevo, estou aqui, conjecturando a respeito de coisas que eu poderia estar fazendo nesse exato momento se não estivesse trabalhando. Isso é chamado, em física quântica, de 'campo das possibilidades infinitas' e prega que vários eventos podem estar ocorrendo no mesmo espaço tempo sem que possamos acessar esse fato. Tudo à mão. Várias escolhas. Estou aqui digitando esse texto mas, bem poderia estar subindo num avião rumo à Groenlândia, montando um quebra-cabeças ou visitando uma feira livre em algum lugar do Brasil. Isso às vezes me causa descontentamento, principalmente nos momentos de estresse, quando o que se queria mesmo é sair correndo pra algum lugar(ou mesmo pra lugar algum). Mas não. Nesse instante, o que essa reflexão me causa é um estado de paciência e tolerância. Não é possível estar em vários lugares ao mesmo tempo(embora os internautas de plantão tentem acreditar nisso) mas simplesmente aceitar que o momento presente é necessário para que, num determinado ponto à frente, possamos enfim desfrutar as situações que desejamos ardentemente: admirar o sol se pondo à beira-mar, jogar futebol com os amigos, dançar numa festa ou simplesmente ouvir música confortavelmente largados no sofá. Paciência. Paciência.
  Tudo se resolverá. A seu tempo. Enquanto isso, deixa eu escrever mais um pouquinho...(Mas bem que poderia estar subindo num avião rumo à Groenlândia...).

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

DA GENTE FOLGADA QUE HABITA ESSE MUNDINHO APERTADO...



  Mais um dia de folga. Folga de quê, afinal? Tudo bem, hoje eu não trabalho profissionalmente, então, posso dormir o dia inteiro. Direito meu, legitimamente adquirido, com base na constituição do país. Então tá. A questão nem é essa. Vou direto ao assunto. O que significa 'tirar folga'? Teoricamente seria descansar do trabalho exercido, seja braçal ou intelectual. No entanto, do quê temos 'tirado folga' nos nossos dias? Vemos pessoas lutando por muitas causas, as mais variadas, no intuito de mudar os sistemas vigentes. Elas saem de suas casas, vão para as ruas, levantam bandeiras e se vestem com as cores de suas ideologias bem fundamentadas. No entanto...   
   Lá, no longínquo mundo privado de suas casas, adormecem conflitos emocionais pessoais e familiares, com suas raízes descendo a quilômetros de profundidade, ocultas por vitrines em formas de sorrisos e ações comunitárias, religiosas e ideológicas. Folga da vida. Essa é a folga que temos tirado. Folga de nossos filhos, nossos cônjuges e nossas responsabilidades.


   Será que estamos exercendo MESMO nossa cidadania? Será que um filho deixado para ser criado pelos colegas de escola e pelas babás digitais virá mesmo a ser um bom cidadão? Não é o que temos visto. Não é o que veremos. Acabamos de atingir 7 bilhões de habitantes nesse planetinha gordo, quente e lotado. A saída virá, sim, das células familiares, de pais presentes e sinceramente interessados no bem- estar de todos. Não é hora de tirar folga. Pelo menos não do exercício de ser HUMANO. 


  Afinal, Papai do céu continua trabalhando até hoje né...
  
  ( LEMBRANDO APENAS QUE ESSA IDÉIA NÃO É ORIGINALMENTE MINHA. OUVI DE UMA PSICÓLOGA INCRÍVEL CHAMADA MÔNICA SALOMÃO, CUJOS INSIGHTS TÊM CAUSADO GRANDE IMPACTO SOBRE MIM E SOBRE AQUELES QUE TÊM O PRIVILÉGIO DE OUVIR SEUS PROGRAMAS DE RÁDIO.)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Peixes e outras visões...



  Sabe, acho que esse mundo é mais ou menos que nem aquele filme, Matrix, que nem faz tanto tempo passou no dvd lá de casa (isso mesmo; na época eu não vi no cinema). Vou explicar. É como se nós estivéssemos sendo aprisionados dentro de algo que, sairíamos tranquilamente se tivéssemos consciência do que se passa mas, como não temos, vivemos como peixinhos no aquário, que só têm dois pontos de visão, duas perspectivas, às quais passa totalmente despercebida uma terceira dimensão: o 'acima'. Somos engolidos pelas necessidades do dia a dia, pela correria pra pegar o ônibus que nos levará a um trabalho estafante e ingrato, que na maior parte das vezes não foi escolhido por nós, mas agarrado, como uma pequena tábua de salvação no meio do oceano aberto, que nos afoga aos poucos durante os dias e nos congela durante as noites, enquanto peixes carnívoros nos roem lentamente as pernas. Temos nossas mentes ensandecidas pelas contas a pagar, pelo medo do que nos espera na próxima esquina e pelos nossos próprios conflitos psicológicos. O irônico disso tudo é que,no filme, o personagem principal descobre que ele está, na verdade, adormecido. E quando ele enfim desperta, consegue enxergar melhor como enfrentar aquilo.
  Às vezes, me sinto assim. Adormecido, impotente, incapaz enquanto os eventos se desenrolam sem me pedir permissão. É nessas horas que eu me lembro que eu estou dormindo: isso aí que você leu - dormindo. Afinal, numa humanidade que teve a capacidade de construir a Muralha da China, a Torre Eiffel, os enormes arranha-céus que agigantam os horizontes urbanos; entre uma raça que desenvolveu sistemas de comunicação via satélite que interligam o mundo e o espaço, as complicadíssimas redes neurais da chamada Internet e a tecnologia para explorar o espaço sideral, enfim, no meio da incrível e explícita super capacidade do ser humano de se manter vivo num universo tão hostil - é inaceitável que eu não encontre as pequenas soluções que eu necessito para driblar as mazelas da minha vida. E aí, eu acordo e começo a olhar atentamente para aqueles que estão bem acordados: desenvolvendo projetos, executando metas e inventando coisas melhores para substituir o que já existe. Isso me faz sentir grandioso.
  Hoje eu ouvi um cara dizer uma coisa num programa de tv que me fez refletir. Ele poetizou: 'Isso não é viver.É apenas existir.' Não, eu não sou uma pedra ou um pedaço de carvão para apenas 'existir'. Eu sou fantástico, incrível e surpreendente enquanto ser pensante. Os peixes não conseguem olhar pra cima, eles só vêem o que está ao redor, bem como as pedras no fundo. Acho que é por isso que eles acabam virando sushi...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Vermelhos... Morangos...



  Essa semana eu ouvi uma historinha que melhorou um pouco meu surrado dia. Pouco? Acho que não. Em especial se pensarmos na monstruosa carga de más notícias e afins com que somos inundados todos os dias...
  Não, essa história mudou alguma coisa sim. Falava de um homem preso num barranco, que tinha acima de sua cabeça um urso faminto esperando por ele e abaixo cinco dóceis onças. Ao lado havia um pezinho de morango com um único morango. Grande, vermelho e vistoso. Ele o alcançou e o comeu. Ando fazendo o mesmo desde então. Parei de dar Ibope pras onças e ursos no caminho. Quero é aproveitar os morangosssss...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

TALVEZES...



Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Sarah Westphal

RENASCER OU DESNASCER?



  Bem, pela convenção imposta por alguém ou simplesmente porque não conseguimos admitir que somos simplesmente um dos 6 bilhões e poucos indivíduos que infestam esse planeta, hoje é meu aniversário... Não sei mais o que pensar disso, afinal, minha visão desse evento é bem particular.

  Normalmente, nesse dia, minha caixa de e-mail se enche de mensagens de felicitações e minhas redes sociais, idem, com aquelas mensagens coloridinhas piscando pra mim. Querem me dar presentes, me convidar pra algum programa especial ou simplesmente me tratam como se, de uma hora pra outra eu tivesse sido escolhido pra seleção brasileira de futebol! Afinal, o que essa data tem de tão incrível, que muda o comportamento das pessoas dessa forma tão absurda???


  A verdade é que vivemos num mundo individualista, em que não temos tempo nem de ficar um minuto frente a frente com alguém querido sem dispersar nossa atenção em preocupações fúteis e sem sentido. Estamos numa corrida sem saber porque e rumando sem saber pra onde, crentes que, num belo dia de sol nos depararemos com o pote de ouro acompanhado de um baú empoeirado contendo em seu interior todas as respostas que passamos a vida procurando. Ou seja: pra espantar a sensação de estarmos sós na multidão precisamos de algo que nos remeta à nossa qualidade de humanos,à nossa natureza social, ao nosso instinto de rebanho. Nem que seja por um dia. E de mentirinha.


  Se o meu dia natalício tem essa função psico-social tão flagrante, o que fazer senão me resignar aos mimos e fingir estar surpreso ao acenderem as luzes no retorno insuspeito à minha casa...


  Agora, e se esse dia for encarado de um novo prisma? O meu aniversário implica comemorar todas as minhas experiências passadas, que me trouxeram exatamente ao momento atual, da forma como estou, com as coisas que tenho e que penso que sei. E se eu quiser, nesse dia, dar o meu grito de liberdade de um monte de crenças escravizadoras e que me arrastam pela vida, desnascendo assim daquele antigo 'eu' e renascendo para uma nova manhã, com uma nova perspectiva de vida e experiências?
E se eu quiser acreditar que ninguém foi culpado por nenhum dos meus infortúnios e que, está, SIM, nas minhas mãos o poder pra moldar o futuro da forma como sonhei e fazendo tudo isso a partir da decisão de assumir que eu estou no comando? E se eu quiser acreditar em Papai Noel? 


  Acho que, no fundo, só temos essa comemoração pra evitar nos confundir à paisagem cinza das cidades, com medo de que a rotina esmagadora nos engula o pouco que restou de nossas opiniões e personalidade, pra não morrer em vida. O eterno medo do esquecimento.


  E, sim, cada ano, cada ciclo que se fecha nos dá uma nova oportunidade para desnascer, assim como a cobra se livra da antiga pele pra ganhar flexibilidade e alcançar seus objetivos. Não quero mais me apegar a essa antiga pele - ressecada, rígida e pesada. Quero viço, cor e brilho. Quero o sorriso contagiante das pessoinhas que amo, e o oxigênio das manhãs de inverno, misturados ao cheiro doce de café vindo da cozinha de casa. Quero beijos, abraços e latidos; quero sonhos...


  ...ah, sim. E quero, é claro, MUITOS ANOS / DE VIDAAAA...